Olá pessoal, como vocês estão? Por aqui tudo bem, numa correria gigantesca, mas gostosa. Bom, hoje vim contar como foi o nascimento do Davi e os primeiros meses de vida dele. Senta que lá vem história, uma história grande e com muitos acontecimentos, apesar do Davi ter somente 5 meses, completados hoje, ele já tem muita história.

Entramos no hospital, eu e Will, no dia 27 de abril decididos que queríamos induzir o parto normal, assim adiantar o parto, já que estávamos muito ansiosos. Essa foi uma decisão que chegamos juntos com nossa obstetra. Ansiedade era imensa e queríamos muito o Davi conosco logo.

Então a nossa obstetra, falou que iria iniciar a indução bem lenta e sem sofrimento, isso poderia demorar até 3 dias para entrar em trabalho de parto e consequentemente o nascimento. Era inserido um comprimido vaginal de 6 em 6 horas para que houvesse a dilatação. No primeiro dia já estava com 2 centímetros de dilatação, ela ficou feliz e disse que logo logo entraria em trabalho de parto, infelizmente não tive mais dilatação, as contrações estava bem próximas, mas nada de dilatação, isso ficou até dia 1 de maio, foi então que tomei a decisão que não aguentava mais esperar meu corpo e queria partir para uma cesariana.

No dia 2 de maio, estava tudo marcado para o nascimento às 8h da manhã. Davi nasceu, estava radiante! Dia 2 de maio também é o aniversário da minha mãe, imaginei que não teria presente melhor pra ela que o primeiro neto.

Confesso que ir para o bloco cirúrgico me deu muito medo, subir na maca, ver Will vestido com aquela roupinha, ver aquele tanto de coisas, me deu muito medo. Medo de morrer, de não ver meu filho, me deu vontade de chorar e de sair correndo, mas me mantive firme...

Minha obstetra é mega legal e divertida, sempre brincando comigo e me deixando calma! Da parte cirúrgica, a pior parte foi colocar a sonda, foi horrível! A anestesia que todos me botavam medo, foi bem de boas! Davi nasceu às 8h14, pesando 2,600 kg e 45 centímetros. Vi ele bem rápido e já o levaram, depois voltaram para vê-lo novamente, estava aos prantos, chorando de alegria, por poder vê-lo e tocá-lo, olhei para Will e também estava em prantos. Davi alegre como sempre, deu seu primeiro sorriso pra mim, não aguentei de tanta alegria. Levaram novamente para dentro e Will dessa vez pode acompanhá-lo.

Fiquei lá sendo costurada por mais 45 minutos e fui para sala de observação, estava com bastante sono, mas queria tanto ver Will e o Davi. Eis que aparece Will, muito feliz, dizendo: "Ele é lindo, porem está com dificuldade para respirar, eles estão fazendo uns exames, ele vai ficar aqui no berçário e você vai sozinha pro quarto, mas já que vamos". Disse que íamos conversando pelo whatsapp pra ele me manter informada de tudo que ia acontecer, já que estava quase voltando pro quarto e teria acesso ao celular, meu coração estava apertado de voltar sozinha, mas queria ser forte que tudo iria dar certo.

E assim aconteceu, fui sozinha para o quarto, logo minha mãe e minha sogra entraram no quarto, estavam todas felizes com o nascimento. Eu e Will começamos a conversar e ele me disse que Davi não estava bem e teria que levá-lo para UTI, porque não conseguia respirar e nem engolir, meu coração apertou! Ele não sabia exatamente o que estava acontecendo, pois os médicos estava ainda fazendo exames. Falei com ele para não desgrudar do Davi e ficar com ele o tempo todo que eu estava bem! Acho que essas próximas horas foram as piores da minha vida, não saber o que estava acontecendo, não poder fazer nada, porque estava anestesiada e não conseguia sair do lugar! Foi onde pedi minha mãe para encontrar minha obstetra e pedir que fosse falar comigo.

Ao chegar no quarto minha obstetra, entrou com uma cara meio chateada, já fui direta e perguntei o que o Davi tinha, ela foi me contar:

"Davi nasceu com atresia do esôfago, que seria uma má formação do esôfago, ele não consegue engolir e terá que passar por cirurgias para fazer a reconstituição, além de ter uma fístula pulmonar, em que, um dos brônquios estava ligado no estômago, fazendo que o estômago estivesse cheio de ar."

Não consegui me conter, chorava muito e muito. Perguntei pra ela se ele iria morrer e quanto tempo tudo isso duraria, se eu conseguiria amamentá-lo. A resposta foi dolorida: "Isso não é fatal, mas longo, pode durar até 2 anos de idade e você não conseguirá amamentá-lo". O mundo acabou nesse momento, era como se a terra me engoli-se. Ao mandar a mensagem para Will, ele disse que estava sentado no chão, próximo da UTI esperando alguém conversar com ele, que estava muito triste com tudo aquilo, ver o Davi naquele estado, pedi que fosse forte, pois muita coisa teríamos que passarmos juntos ainda, e queria muito estar com ele, não queria que passe por aquilo tudo sozinho. Bom, os médicos conversaram com Will e lhe contou tudo, o mesmo que minha obstetra tinha falado, Will voltou para o quarto as 16h30 muito triste. Era para ser o dia mais feliz das nossas vidas, posso dizer que foi um dos piores.

As visitas na UTI Neonatal eram 2 vezes ao dia, porém por estar internada conseguiria vê-lo somente 1 vez por dia, logo pedi para minha obstetra me dar alta, não iria ficar ali nem mais um dia, tinha visto meu filho por 10 segundos. No dia seguinte ela me deu alta e pediu para me cuidar, para não me esforçar muito, que o Davi precisava de mim boa e viva. Falei que só iria sair da cama para ir na UTI vê-lo. E assim foi. Posso dizer hoje que a cesariana foi bem tranquila, não tive resguardo nem tempo para sofrer, porém havia horas que queimava bastante o lugar, não conseguia fazer nada sozinha, mas graças a Deus tive muita ajuda e apoio de todos.

Ao vê-lo pela primeira vez, não chorei, só passei toda a força que tinha para ele, falei que estaria esperando por ele e estaria sempre ao seu lado. Os médicos me explicaram tudo e disse que a cirurgia estava marcada para dia 5 de maio, 3 dias após seu nascimento.

Pensei, logo logo Davi estaria em casa. Confesso que não quis pesquisar nada na internet para não me assustar, pensei que tudo era simples e com fé em Deus tudo se resolveria. Perguntei aos médicos se precisava deu estar lá no momento da cirurgia, eles disseram que não, que só poderia vê-lo no horário da visita.

Eu e Will acordamos e oramos no dia 5, logo depois da oração, meu telefone toca, era do hospital perguntando se estava chegando que só poderia começar a cirurgia se estivesse lá para autorizar. Na hora esqueci que estava operada, pulei da cama, me vesti sozinha e sai correndo! Minha mãe só me grita "cuidado com a cesária". Ao chegar no hospital, o cirurgião conversou comigo e explicou tudo que iria acontecer: "Vamos operá-lo, verificar qual a distância do esôfago para o estômago, se estiver muito longe iremos fazer traqueostomia. Caso esteja perto já iremos ligar e tudo correrá bem, além disso vamos fechar a fístula do pulmão", agradeci e o abençoei, ao sentar veio a dor e sangue da cirurgia. Estava preocupada demais para sofrer com aquilo, depois eu olhava. Se passaram 3 longas horas, e o cirurgião chegou dizendo que foi um sucesso, o esôfago estava próximo do estômago, tudo fui ligado e e fechado a fístula. Veio nosso alívio, afinal, se não desse para ligar o esôfago com estômago, ele teria que passar por varias cirurgias até fazer a correção completa. Eu e Will nos abraçamos, agradecemos a Deus e choramos, choramos muito.

Fomos embora pra casa felizes, achávamos que tudo já estava resolvido. Não era bem assim, e estava longe de tudo estar resolvido. Davi ficaria sedado por 7 dias para recuperação, depois de 7 dias iria passar o contraste para verificar se a cirurgia teria dado certo, e só depois ver qual o próximo passo. Estava com muita esperança de que tudo iria dar certo, na próxima semana seria o dia das mães, que alegria, será que até lá Davi já saiu da UTI? eu pensava.

Essa primeira semana pós cirurgia foi tranquila, Davi dormia sempre que íamos lá, até que na sexta-feira desentubaram ele para que respirasse sozinho. Chegamos na UTI e lá estávamos muito felizes ao ver ele acordado, um pouco nervoso, mas acordado. Estávamos mega felizes! Até que chegamos no sábado e Davi estava entubado novamente e muito inchado isso me assustou bastante. O médico veio conversar conosco, como de costume, mas dessa vez muito enfático:

"ele não está nada bem, seria melhor até você (eu-mãe) tirar a mão dele, deve ter 1 hora mais ou menos que está estável. Ele teve convulsão, muita febre, está com pneumonia em um dos pulmões, e no outro que foi a cirurgia está com pneumotórax (que ar entre a pleura e pulmão). Ele não está nada bem, piorou muito. Somente a cirurgia que deu certo, hoje passamos o contraste e tudo certo com esôfago dele."

Naquele momento novamente o chão se abriu nos meus pés e me engoliu, olhei para Will ele estava chorando e eu sem acreditar em tudo aquilo acontecendo. Amanhã era dia das mães, tínhamos planejado um almoço, estava feliz que Davi estava respirando sozinho, agora eu nem sei se meu filho vai viver, por que? Fui abraçar Will e saímos de lá chorando muito. Chegamos em casa contamos para nossas mães, elas tentando nos dar apoio e força para caminharmos.

No domingo voltamos a UTI, Davi estava mais inchado que ontem, estava deformado. Ao vê-lo daquele jeito, cair no choro, não acreditava que iria ver meu filho morrer. As enfermeiras e médicos pedindo para não desistir dele e ter fé que ele era forte. Ao sairmos de lá, Will disse que não queria mais voltar e não queria ver ele daquele jeito, que ele não aguentava mais. E eu chorava e pedia força a Deus o tempo todo. Cheguei em casa, ajoelhei no banheiro e chorei, chorei. Pedi a Deus força para que não deixasse eu desistir do meu filho, que estava sendo duro vê-lo daquele jeito, mas para não levá-lo, eu precisava dele. Pedi com todas as minhas forças, implorei a Deus força e fé. E ao me levantar com muita dificuldade, afinal tinha um pouco mais de uma semana da cesária, fui conversar com minha mãe, que sempre foi meu porto seguro, que sempre me deu força e me ouviu. Falei que queria fazer uma novena para Nossa Senhora Aparecida, na mesma hora ela se prontificou. Na segunda-feria começamos a novena, e no primeiro dia pedi, com toda a minha força e fé que ao final daquela novena Davi sairia daquela UTI para o berçário e que em agradecimento iria durante 1 ano as missas aos domingos com ele e iria em Aparecida também em agradecimento. Claro que era ousado meu pedido, afinal, Davi estava muito mal e em nove dias ele teria que ter recuperação rápida, mas tinha fé. E assim foi, na sexta-feira Davi já estava desentubado e o segurei no colo pela primeira vez, o dia mais feliz, poder pegá-lo nos braços. No sábado eu dei mama para ele, eu chorava de alegria, sai de lá em êxtase. Na segunda eles pediram para voltar lá para dar mais peito para ele. Na terça-feira de manhã, último dia da novena, eles falaram que Davi estava descendo para o berçário.

Como diz a música da banda O Rappa "..eu vou pedir pros anjos cantarem por mim, pra quem tem fé a vida nunca tem fim..", o impossível vira possível! E aquele foi um dia incrível, poder passar o dia todo com o Davi, poder amamentá-lo. No dia 5 de junho de 2017, Davi foi para casa conosco! E foi o dia mais feliz da minha vida. Foram 21 dias na UTI e mais 12 dias no berçário, no total 33  dias no hospital.

Davi primeiro dia em casa!

Davi com 2 meses!

Davi com 3 meses!

Davi com 4 meses!

Hoje com 5 meses poder vê-lo forte e saudável é  a melhor coisa do mundo!

Espero que tenham gostado da história do Davi.